Um, dois...

Um, dois...

► Música

Um, dois...

A manhã começou como qualquer outra: acordei, tomei um banho morno, preparei meu café e fiquei esperando a hora de sair. Nada demais. Só mais um dia comum, com a rotina empurrando pelas costas e o peso do trabalho já se ajeitando nos ombros antes mesmo de eu cruzar a porta. O ordinário, o esperado. É apenas o básico na vida de qualquer pessoa, embora nem sempre pareça fazer muito sentido.

Enquanto eu ainda estava meio desligada, recebi algumas mensagens da Kenda. Ela me chamou pra ir pra casa dela depois do expediente. Aparentemente, Jellie e Ash também estariam lá, e já tinham alguns planos armados pra darmos uma volta juntos. Quando li a mensagem, não consegui evitar de fazer aquela careta de quem já sabe o que esperar: confusão. Conheço bem esse trio — três capetinhas concentrados em corpos humanos — e, sendo bem sincera, era quase certo que a noite terminaria em caos, gritos, gargalhadas e, quem sabe, alguma história vergonhosa pra ser contada por anos.

Mesmo assim, eu topei.

Três, quatro...

Assim que meu turno finalmente chegou ao fim, iniciei meu trajeto de volta pra casa como quem segura a própria sobrevivência por um fio. Eu estava esgotada, e cada passo parecia um combate direto com um exército de gorilas famintos, só que sem qualquer arma digna… bom, quase sem nenhuma.

No caminho, fiz algumas paradas estratégicas em lojinhas de bairro pra comprar água. A hidratação virou meu único escudo naquela pequena jornada épica. E olha… vou te contar: foi fácil não, viu? Parecia que o próprio chão conspirava contra mim, querendo sugar minhas últimas reservas de energia.

Mas, com a dignidade meio torta e o suor escorrendo pelas têmporas, eu consegui vencer a “guerra” e finalmente cheguei em casa.

Soltei um “lar doce lar” quase automático, seguido de uma ladainha de “graças a Deus” — repetidos com a intensidade de quem sobreviveu a uma guerra invisível. Abri os braços num gesto dramático, esperando por um abraço caloroso… mas é claro, ninguém apareceu.

Minhas pernas haviam declarado greve. Subir as escadas até o quarto parecia uma missão fora do meu alcance humano naquele momento. Então, cedi à solução mais lógica: o sofá. Sem pensar duas vezes, deixei meu corpo cair ali como quem descarta um papel amassado sem plano B.

Desmaiei no ato. O cansaço me arrastou para um sono pesado daqueles que te apagam do mundo por horas. Até que, do nada, fui acordada por um som ensurdecedor: a televisão havia se ligado sozinha. Tela estática, chiado irritante e o volume absurdamente alto — bem mais alto do que costumo deixar. O susto foi tão grande que me levantei em um pulo.

Provavelmente seria uma cena hilária — para qualquer um que não fosse eu, claro. Imagine: eu salto do sofá com a violência de quem levou um choque de mil volts, tropeço nas próprias pernas e caio no chão, olhando ao redor feito uma barata tonta, completamente desorientada. Pode rir, vai. O auge da comédia pastelão. Mas te garanto… não teve graça nenhuma.

Depois de alguns segundos tentando entender onde eu estava, quem eu era e o que tinha acabado de acontecer, me levantei ainda meio grogue e fui desligar a televisão — agora uma inimiga declarada. Enquanto caminhava até ela, comecei a soltar uma sequência nada elegante de resmungos e xingamentos direcionados a um simples aparelho eletrônico que, até então, nunca tinha me dado motivo pra suspeitar de nada.

Ao desligar a TV, fiquei ali parada por uns instantes, processando a cena. Por que demônios aquilo tinha acontecido? A televisão simplesmente ligou sozinha, do nada, com o volume no talo e sintonizada em canal nenhum. Curto-circuito? Não fazia sentido — aquele modelo era novo, de ótima qualidade, sem histórico de bugs ou falhas.

Então cogitei a hipótese mais provável: talvez eu tivesse dormido em cima do controle remoto. Já tinha acontecido antes — eu, sem perceber, deito em cima do controle e acordo com a TV gritando. Mas bastou olhar para o sofá para ver que não, dessa vez não era isso. O controle simplesmente… sumiu. Não estava ali, nem debaixo das almofadas, nem no chão. Nem um vestígio.

Eu poderia facilmente procurar por ele na casa inteira, mas eu me conheço o suficiente para saber que eu jamais deixaria meu controle em qualquer lugar da minha casa que não fosse a sala.

E foi aí que minha mente, cansada e criativa, começou a derivar para as explicações mais absurdas possíveis como fantasmas ou coisas paranormais. São hipóteses extremamente fantasiosas para qualquer um que vê de fora, mas eu sou a Miska, então nada é tão impossível assim na minha vida.

Enfim, dane-se isso tudo, pois a realidade preferiu ser bem menos interessante.

Enquanto eu ainda estava ali, divagando entre fantasmas e falhas técnicas, ouvi uma sequência abafada de risadinhas vindas da porta da frente. Quando me virei, lá estavam eles: Kenda, Ash e Jellie — as três criaturas responsáveis por grande parte do meu estresse e também das minhas risadas. Estavam encostados na porta, rindo como uma plateia privilegiada do melhor stand-up do ano.

Na mão de Ash? O controle remoto da minha televisão.

Pois é. Agora eu sabia quem estava por trás do “mistério tecnológico” da noite. Três filhos da puta com tempo livre demais e criatividade de sobra.

Abri a porta e, claro, fui recebida com uma chuva de piadinhas sobre minha reação, meu “pulo ninja” do sofá e minha cara de pânico puro. Eles estavam passando ali só pra me chamar — aparentemente, eu tinha dormido tanto que quase perdi a hora de sair com eles. E claro, como bons amigos que são, decidiram me acordar da forma mais traumática possível.

Sinceramente, eu queria dormir mais uns 5 minutinhos.

Cinco, seis...

O primeiro lugar foi, no mínimo, curioso. À primeira vista, havia apenas um caminho de piso liso e contínuo que se estendia até desaparecer em alguma curva adiante. Mas o que realmente capturava a atenção — e, sinceramente, até o fôlego — era a sequência impecável de cerejeiras plantadas lado a lado, numa ordem que lembrava uma coreografia silenciosa, perfeitamente desenhada pela obsessão de uma mente que buscava simetria poética.

Eram sakuras. Suas pétalas rosadas, frágeis e translúcidas, desprendiam-se dos galhos e desciam em queda lenta, ordenadas como numa dança que não precisava de maestro. O caminho se transformava num tapete efêmero, ornamentado por um gesto que parecia ter sido planejado apenas para aquele momento. A cena tinha a força de um quadro cinematográfico: tudo se movia com ritmo próprio, carregando uma harmonia difícil de explicar.

Apesar de não estar lotado, havia algumas outras pessoas por ali, também encantadas, também em silêncio, tirando fotos e caminhando devagar — como quem entende que lugares assim exigem uma espécie de reverência, uma pausa no ritmo bruto da vida. Não é difícil entender por que estavam ali; o lugar era lindo.

Eu, claro, entrei no clima. Peguei meu celular e tirei algumas fotos também.



Lindas, não é?

É estranho como certos lugares parecem falar com a gente sem dizer uma única palavra. A câmera não era capaz de capturar exatamente o que aquilo fazia sentir, mas foi uma tentativa de preservar ao menos um fragmento daquele instante. Sentimental até demais? Talvez.

Apenas sei que definitivamente pretendo voltar àquele lugar das cerejeiras. Com toda certeza. Há espaços que não se visitam apenas uma vez, é como dizem.

Eles grudam na memória e pedem retorno, como se existisse algo ali que ainda precisa ser vivido com mais calma, é como também dizem.

Mas, enfim. Depois desse momento, fomos para um parque de diversões. E, olha… eu não vou dizer que odiei, mas também estaria mentindo se dissesse que foram as mil maravilhas. Eu juro por Deus, parece que aquele lugar parecia ter sido projetado por alguém com uma mente no auge da psicopatia — ou, quem sabe, por um grupo de engenheiros que assistiram filmes de terror demais na infância.

Fui arrastada para uma sequência de brinquedos que, honestamente, é preciso odiar muito a própria vida pra entrar: montanha-russa, kamikaze, pêndulo gigante — e tudo isso em um intervalo de tempo tão curto que meu corpo nem teve chance de negociar com a gravidade. Gritei tanto que minha garganta ainda parece raspada por dentro. Enquanto eu enfrentava minha pequena saga de pânico, os outros riam, parecendo achar que tinham comprado um ingresso direto pro inferno e estivessem achando tudo hilário.

E, sinceramente? Talvez fosse mesmo divertido pra eles — dar um rolê no quintal do demônio, aprontar uma travessura lá dentro e depois voltar de bolsos vazios e cara limpa, como só mais uma piada de recreio.

No fim, o que eu tive foi enjôo. Rodopiar como um pião, flutuar no ar sem saber quando vai cair, ser lançada em ângulos que desafiam a física... tudo isso teve um preço: vomitei horrores. Nem tive tempo de ser discreta. Mas pelo menos, sobrevivi. Saí viva de todos os brinquedos. O que, se você parar pra pensar, é uma vitória que merece até medalha.

A próxima pedida foi um karaokê.

Confesso que, de início, não estava nem um pouco animada com a ideia. Ainda carregava na memória o trauma vívido da última vez em que resolvi me aventurar nesses lugares. Um desastre vocal em público não é o tipo de coisa que se esquece fácil. Mas, dessa vez, resolvi simplesmente me desligar do receio — taquei o famoso “foda-se” e fui. Dessa vez, era pra valer.

E olha... não é querendo parecer pretensiosa, mas a verdade é que eu canto pra caralho. Sério. Cantei todos os versos de todas as músicas com uma confiança absurda e — o melhor — sem nenhuma falha vocal. Minha voz, finalmente, colaborou. O mundo inteiro que lute, porque eu poderia, sim, facilmente me candidatar ao título de melhor cantora não descoberta da atualidade. Grammy, se prepara.

Hah, brincadeiras à parte, foi uma experiência surpreendentemente divertida. Admito que comecei com aquele friozinho clássico na barriga, uma pontinha de vergonha alheia prestes a se materializar. Mas aos poucos, entre risadas, desafinos alheios e aplausos semi-irônicos dos amigos, acabei me soltando. Foi um momento até terapêutico. Meio ridículo, sim, mas no melhor sentido possível.

Pra encerrar a noite, decidimos fechar com chave de papel alumínio: fomos ao cinema. Escolheram um filme de romance e drama, desses com roteiro genérico e emoção empacotada. A história era clichê até o osso, previsível em cada cena, mas os atores se esforçavam tanto pra parecerem emocionados que até mereciam um elogio pelo empenho.

Ash e Jellie se debulharam em lágrimas — e quando digo debulharam, quero dizer soluços de fazer gente da fileira da frente olhar pra trás com pena. O filme definitivamente não merecia tamanha comoção. Já Kenda, no seu típico estilo desapegado, dormiu do início ao fim. Apagou assim que a tela escureceu. E honestamente? Ninguém ficou surpreso. Ela tem esse talento inato de desligar quando percebe que a realidade ficou desinteressante demais.

Sete, oito...

No final das contas, Ash e Jellie anunciaram, com a maior cara de pau do mundo, que iam dormir na casa da Kenda. A reação dela foi imediata: ela negou imediatamente de uma forma quase instintiva — como quem já previa o caos que se instalaria ali em poucas horas. Mas, como já era esperado, a negativa dela não durou muito. Bastaram algumas chantagens emocionais de quinta série e umas carinhas pidonas pra ela acabar cedendo. A resistência foi só uma formalidade mesmo.

Depois disso, nos despedimos. Eles foram para um lado, eu fui para o outro.

Agora estou aqui, sentada na sala da minha casa, com a televisão ligada em algum canal que vive reprisando filmes e séries dentro de uma programação que quase nunca me interessa de verdade. O som está baixo, servindo mais como pano de fundo do que qualquer outra coisa. Porque, na prática, minha atenção está voltada para este momento: escrever sobre o meu dia.

Se eu tivesse que resumir esse dia em uma palavra? Normal.









































Nove, dez.









































É, o dia foi surpreendentemente... normal.

E não — isso não é pra soar como uma frase de efeito ou alguma tentativa poética barata. É só uma constatação simples e que deveria ser óbvia. Afinal, dias normais deveriam ser a regra, não a exceção. Todo mundo tem seus dias comuns, seus roteiros previsíveis. Eu mesma já tive vários. E, honestamente, esse aqui não fugiu muito disso:

Eu acordei, trabalhei, saí com meus amigos e foi isso. Fim.

No entanto, como eu já falei muito anteriormente: Eu sou a Miska. E quando eu digo isso, não é apenas uma questão de identidade. Porque, na moral? Às vezes eu tenho a nítida impressão de que o universo traçou um plano específico só pra me ver me foder em tempo integral.

Porra, eu não estou brincando. Sabe quando você sente que a tranquilidade é só um intervalo entre duas tragédias? Então, é isso. Meu "normal" nunca dura tempo suficiente pra ser confortável. Basta eu baixar a guarda por um segundo e pronto: alguma merda acontece.

E sim, eu sei, eu sei que o sofrimento é parte de nós. Todo mundo, em algum momento, vai se ferrar. Vai ter o coração partido, vai enfrentar perdas, vai lidar com dores que não pediu. Mas o que acontece comigo NÃO É NORMAL. Não é só azar, não é só coincidência ruim, apesar de que eu queria muito que fosse. Parece que vivo aprisionada num looping de tragédias íntimas, uma engrenagem viciada que insiste em girar sempre contra mim.

Eu já fui perseguida. Já tentaram me matar — não uma, mas várias vezes. Já fui sequestrada, assediada, manipulada, enganada.

E como se tudo o que já aconteceu ainda fosse pouco, meus problemas não se contentam em permanecer na memória. Eles ressurgem no presente, palpáveis, empurrando o passado para dentro do meu presente. Os fantasmas que me cercam não são abstratos; eles caminham, falam, respiram ao meu lado.. o tipo de coisa que, se eu contasse pra alguém sem contexto, provavelmente acabaria internada.

Uma parte de mim tenta racionalizar — entender por que isso continua acontecendo comigo. Talvez seja porque, apesar das tentativas de enterrar tudo, de manter certas dores sob sete chaves, elas insistem em cavar caminho de volta até a superfície. Sempre voltam. Sempre acham uma forma de me alcançar, de me torturar de novo, e de novo, e de novo.

Mas o mais estranho — ou talvez o mais triste — é que, de alguma forma, eu continuo sobrevivendo a tudo isso. Passo pelas tempestades, pelas perdas, pelas visões, pelas dores... e sigo em frente. Inteira? Nunca. Mas funcional o suficiente pra parecer.

Poderia muito bem bater no peito e dizer “Nossa, olha só como eu sou foda, como sou forte pra cacete!”, mas… não. Eu não consigo, e nem quero. Isso não é uma coisa que quero ter orgulho. Não tem nada de "foda" nisso. Sobreviver ao insuportável repetidamente não é medalha de honra. É só exaustivo. É o tipo de coisa que a gente não devia ter que suportar nem uma vez sequer, quanto mais tornar rotina.

O que mais me atormenta é a percepção de que não tem fim. Cada pausa é apenas temporária, um suspiro concedido pela vida — ou seja lá quem estiver no comando desse caos — antes de empurrar-me de volta ao inferno seguinte. Tudo se repete.

E, olha... se esse “alguém” realmente existe, então não tenho outra explicação: essa entidade, força, destino — chama como quiser — deve me odiar com força, não é? Não faço ideia do que fiz para merecer isso. Não sei qual erro ou pecado me colocou no radar desse “alguém” — se é que existe mesmo — que decidiu me transformar em um brinquedo torturado nas mãos de um capricho cruel.

Mas se existe alguém.. por favor, chega.

Chega de transformar minha vida numa sequência de testes impossíveis. Chega de girar a roleta e ver no que mais pode me ferir. Eu não sou invencível, e nunca pedi pra ser. Só queria viver uma vida comum. Daquelas com problemas normais, sim — porque ninguém é imune ao sofrimento —, mas ao menos com pausas.

Coragem não é o que tá me faltando, é descanso.

Então, seja lá quem ou o que for que está aí, por trás dessa engrenagem que insiste em girar contra mim: me deixa em paz. Me dá, pelo menos uma vez, a chance de existir sem medo do que vai vir em seguida. De respirar fundo sem pressentir o próximo colapso.

Só isso.









































Hah… eu realmente não sei. Talvez tudo isso tenha me fodido tanto que agora minha mente começou a viajar pra lugares bem mais distantes do que deveria — embora, honestamente, seja difícil desacreditar desses meus “distantes”. Não é como se eu quisesse que essas teorias façam sentido. Muito pelo contrário. Eu torço com força pra que tudo isso não passe de exagero da minha cabeça cansada. Mas a realidade parece insistir em dizer o oposto, e manter a fé na simplicidade vira um exercício quase impossível.

Na verdade, será que vale a pena continuar remoendo tudo isso? Pensar tanto, cavar tanto, sofrer tanto por perguntas que talvez nem tenham resposta? Porque, se for mesmo destino, o que caralhos eu posso fazer pra sair dele? E se não for nada disso, se isso for só… a minha vida mesmo, desse jeitinho torto e caótico? Bom, nesse caso, só posso concluir uma coisa: que baita azar de merda o meu, né?

...É. Acho que já atingi a cota de crise existencial do dia. Ou da semana. Talvez do mês.

Acho melhor eu ir dormir. Minha cabeça tá pesada demais. Mas antes disso, acho que vou tirar uma foto. Não por algum motivo especial — não teve nada muito digno de moldura. É só pra marcar, sabe? Um registro simples.

Mesmo que esse dia não tenha sido interessante pra ninguém mais… pra mim, ele existiu. E às vezes isso já é o suficiente.

E foi exatamente isso que eu fiz.

Peguei o celular, sem muita cerimônia, e me encostei em um canto qualquer da casa. Não pensei muito, nem posei de forma elaborada. Só abri a câmera, mirei mais ou menos e apertei o botão.

Depois, por pura teimosia (ou vaidade silenciosa), testei alguns filtros ali mesmo, direto na câmera. Coisa simples, só pra ver se conseguia dar um toque de charme naquela imagem meio apagada pelo cansaço do dia. Talvez uma cor mais quente, um granulado vintage, alguma tentativa de transformar o banal em algo com algum valor visual.

O resultado? Um desastre. Ficou uma bela de uma bosta — o enquadramento torto, minha cara de sono, o fundo absolutamente irrelevante. Mas quer saber? Foda-se.

No fim das contas, pra mim já vale o clique.











































Boa noite ;)
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