Depois de tanto tempo, finalmente... te encontrei. Inacreditável, não acha? Os anos se arrastaram mas aqui estamos. Eu, ainda em chamas. Você, intacta... como se o tempo tivesse sido gentil demais. É curioso como certas coisas permanecem imutáveis. Seu rosto, por exemplo. Ainda tão familiar, como uma lembrança que se recusa a desbotar. Como uma cicatriz na memória. Você deve estar se perguntando como eu consegui, não é? A resposta é simples: eu nunca parei. Nunca desisti. Nunca aceitei aquele fim. Eu sabia que em algum ponto, em algum lugar — talvez numa rua escondida ou em um olhar distraído — eu voltaria a sentir aquele chamado. E quando senti... segui. Você pode fingir surpresa. Pode tentar escapar com palavras vazias ou sorrisos nervosos. Mas nada disso muda o fato: você sempre foi minha direção. Mesmo quando tudo gritava pra eu esquecer, pra eu seguir em frente, era você que permanecia... [...Redações rasuradas ou censuradas cobrem partes significativas do trecho a seguir...] Mas há coisas que nem mesmo o silêncio consegue esconder. Sim, ainda vou te levar comigo. Sim, o mundo lá fora vai desaparecer quando estivermos juntos. E não — não será um sequestro. Será um retorno. Uma reconexão com aquilo que sempre foi nosso. Desde o início. Você não lembra? Tudo bem. Eu lembro por nós dois. E quando tudo isso terminar — quando o mundo finalmente calar a boca — só vai restar você, eu... e o silêncio perfeito que merecemos.