o mal de pano

Creio que já esteja mais do que comprovado que o pacote completo de desprezo, manipulação e desgaste psicológico fornecido pela minha irmã ultrapassou há tempos qualquer fronteira razoável do nosso convívio cósmico. Eu me desdobro em esforços homéricos por ela, mas a reciprocidade, grandíssima entidade mística, nunca dá as caras. E, para coroar, não apenas recebo esse tratamento, como ainda me auto-humilho com uma maestria impressionante.

Já cometi proezas que renderiam um TCC em “Altruísmo Desesperado”: invadi residências alheias, transformei mortais em terapeutas improvisados, escrevi cartas e confessei, entre soluços, que só queria ouvir um simples, e aparentemente inalcançável, “eu te amo” dela. Tudo isso, claro, em nome dela, para ver se conseguia, ao menos por um instante, ter ela pra mim.

E, afinal, o que ela me oferece em troca? Exatamente: nada. Ou melhor, nada que se enquadre no básico de irmandade saudável. O repertório dela consiste em agressões quando perde a paciência ou tentativas, no mínimo criativas, de me eliminar.

E sim, registro aqui, em plena sessão de choro, para dar veracidade ao relato que estou derramando lágrimas mais uma vez por causa dela.

Sim, eu estou chorando de novo pela minha irmã, MAS CALMA! EU JURO QUE É A ÚLTIMA VEZ!!

























































































































Ué? O que foi? Por que vocês tão olhando pra mim desse jeito?

É que eles sabem que você está mentindo.

Ah, cala a boca, narrador! Eu nem tenho chorado tanto assim, credo! Foi só um pouco!

Foram só 10 vezes por dia nas últimas duas semanas.

EXATAMENTE! ISSO FOI POUCO!

Tá falando sério?

SIM! É que.. foi um pouco demais!



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