Duas garotas, uma bandeira

Duas garotas, uma bandeira

Ashley alugou um apartamento.

Motivo? Vai saber.

Talvez tenha sido uma epifania repentina no meio de um scroll preguiçoso no site de imóveis, talvez só quisesse se sentir adulta por 48 horas. Ou talvez tenha sido só aquela sensação existencial de "e se eu tivesse um espaço só meu pra comer Doritos no sofá sem julgamento e com ar-condicionado?".

Enfim.

A questão é que ela viu o apê, clicou em “alugar”, e foi.

E claro, como toda pessoa que toma uma decisão impulsiva demais pra sustentar sozinha, Ashley imediatamente convocou Miska pra embarcar nessa missão de... ficar sentada num sofá diferente. A desculpa oficial? “Ah, eu não quero ficar sozinha.”

Tradução: “Vem aqui viver a experiência urbana simulada comigo, por favor.”

Miska, coitada, já sabia que não tinha muita escolha no assunto. Aceitou com a resignação de quem já aceitou convites piores. Separou o básico: celular, umas roupas, snacks pra não morrerem de fome, talvez um pacote de bolacha que ela já sabia que Ashley ia roubar, e pronto.

Inclusive, ponto pra Miska: ela ainda teve o carinho de comprar alguns joguinhos novos. Um presente pra Ashley? Sim. Mas também uma tentativa desesperada de garantir alguma atividade além de ver vídeo aleatório no YouTube ou discutir teorias de conspiração baseadas em reviews do Google Maps.

No fim, o dia correu bem.

Jogaram videogame como se tivessem 12 anos. Se xingaram de forma carinhosa, gritaram com o jogo, riram de suas próprias derrotas vergonhosas, comeram com voracidade, e brincaram de coisas absolutamente idiotas que, de algum jeito místico e exclusivamente Ashley, acabavam sendo realmente divertidas.

A energia dela era tipo um Red Bull com glitter.

Cena seguinte: as duas jogadas na cama assistindo um filme qualquer. Não era nenhuma obra-prima do cinema, mas estava servindo bem ao propósito de "não fazer nada com estilo". A concentração tava firme — até que Miska, por tédio ou tique artístico, puxou da mochila uma bandeira que tinha trazido de casa (não que alguém tenha entendido o motivo disso também) e começou, do nada, a pendurar na parede do quarto.

Ashley, naturalmente desconfiada como uma idosa vendo jovem mexer no controle da TV, lançou um olhar arqueado.

— Ahhhn... então, tipo... você é lésbica ou algo assim? — perguntou, com aquele tom casual de quem pergunta se o refrigerante ainda tá gelado.

Miska virou o rosto devagar, com a expressão de quem acabou de ouvir que o sol nasce no oeste.

— ... Quê? Não?! — respondeu, embora, para ela, a resposta devesse óbvia.

Ashley franziu mais ainda a sobrancelha, agora visivelmente confusa.

— Ué... então que bandeira de orgulho é essa?

O silêncio caiu no quarto com o peso de um piano caindo de um prédio. Deu até pra ouvir o som da pipoca mastigada parar no meio do processo.

Por que? Muito simples!





































.. era uma bandeira da França.

[Discord | Grupinho da pesada]
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